Música, educação e afins

Música é um fenômeno social, que pode nos aproximar de determinadas pessoas e nos afastar de outras. Isto porque usamos música para compartilhar sensações e emoções, para transmitir valores e ideais com os quais nos identificamos. Deste modo, nem sempre é gratuito gostar (ou não) de determinada música, estilo, ou gênero musical; nosso gosto musical por muitas vezes tem origem, direta ou indiretamente, consciente ou inconscientemente, nas relações sociais que estabelecemos (ou que os outros estabelecem conosco).

(Mini-)Gincana de "Grooves"


Groove [gru-vi] é uma palavra em inglês que no meio musical refere-se ao ritmo que sustenta uma música. O groove de uma música geralmente é definido pela bateria, pela percussão de uma modo geral. Mas, também pode ser definido pelo contrabaixo, pela guitarra, ou a grosso modo por qualquer outro instrumento que estabeleça uma célula rítmica como padrão para a música.

Há algum tempo percebo que uma das maiores dificuldades dos meus alunos está relacionada aos jogos e brincadeiras que envolvam o trabalho em grupo com mais de 3 integrantes. Talvez, ou provavelmente, esta seja uma característica comum à faixa etária destes meus alunos (6 a 11 anos) e que eu só esteja descobrindo agora. 

Então, buscando promover situações de aprendizado voltadas aos desafios do trabalho em equipe (resolução de problemas, tolerância e o respeito às diferenças de gostos e afetos, bem como aos diversos níveis de desenvolvimento psicomotor e/ou cognitivo dos colegas, em prol de um objetivo maior, etc. e etc.) desenvolvi uma gincana para turmas do 3º ao 5º ano do ensino básico.

Nesta gincana os participantes pontuam ao executar grooves de percussão corporal definidos (apenas por uma questão de praticidade) pelas cartinhas de Peito Estala Coxa. Cada cartinha apresentada (por pelo menos 4 vezes consecutivas, ininterruptas e em pulso regular) somará pontos de participação para um participante individual, uma dupla, um trio, um quarteto ou um grupo de qualquer tamanho.

Como o esquema de pontuação é a alma desta gincana, começo a aula explicando aos alunos que para participarem da gincana os alunos terão de me apresentar (sozinhos, em duplas, trios, e/ou grupos de qualquer tamanho) grooves de percussão corporal. E que cada groove apresentado individualmente representa 10 pontos; em dupla, 40 pontos (20 para cada participante); em trio, 90 pontos (30 para cada participante); e assim por diante.

Então, costumam perguntar "E se for em grupo de 5 pessoas? 6.. 7..." Daí eu faço as contas no quadro e todos ficam entusiasmados com o aumento exponencial dos pontos que podem marcar com apenas uma cartinha. Mas logo em seguida eu os lembro que para que seja válida uma apresentação em dupla, trio ou grupo de qualquer tamanho é necessário que todos os participantes sem exceção toquem o groove em "sincronia" (juntinhos), por 4 vezes consecutivas, etc. Se houver algum deslize na execução os pontos não são computados.

Enfim, quanto maior o grupo maior a pontuação (bem como a fração de cada participante). Entretanto, quanto maior o número de participantes maior será a dificuldade de coordenação e sincronismo dos toques. E o caminho até a superação deste dilema está repleto de situações de aprendizagem. Por exemplo:

Quando há dois ou mais participantes para tocar junto um groove a sincronia nem sempre é perfeita. Aí começam as acusações e apelações... "ah fessor, o fulano tá errando toda vez". E eu logo os corrijo dizendo: "em um grupo, o erro de um será tomado como erro de todos". Portanto, "se o colega está errando toda vez, vocês devem identificar a sua dificuldade e ajudá-lo à superá-la para marcar a quantidade de pontos que vocês almejavam originalmente".

Grupos grandes onde nenhum participante teve a experiência de tocar em dupla, trio ou em formações maiores costumam ter mais dificuldade de pontuar. Outra dificuldade bastante relacionada à apresentação de grupos está no fato dos participantes esquecerem de realizar uma contagem inicial para que todos comecem sincronizados.

Ao final da gincana vencerão 1) a dupla, o trio, ou o grupo mais bem pontuado e 2) o participante que acumular mais pontos por suas participações individuais, em dupla trio, e/ou grupos. Em outras palavras, um indivíduo pode apresentar cartinhas sozinho, noutro momento em dupla, noutro em trio, quarteto, grupo, e somar a fração de pontos referente à cada participação. A mesma formação não pode apresentar o mesmo groove mais de uma vez, mas o mesmo groove pode ser apresentado por diferentes formações (por um participante diferente ou um a mais no grupo). É importante também definir por sorteio uma ordem de participação (tanto para o sorteio das cartas quanto para a audição dos grupos) para que todos tenham a mesma quantidade de chances, aquele que não estiver pronto (ensaiado) pula a vez. Grupos criados ou modificados no decorrer da gincana assumirão o final da fila.

Inicialmente eu havia pensado numa gincana que durasse uma semana, um mês, envolvendo varias turmas em várias escolas, e etc. Mas como eu havia dito anteriormente, o esquema de pontuação é a alma da gincana, e os alunos criam uma expectativa muito grande para a contagem de pontos. Além disso, no mundo de hoje as crianças tem cada vez menos paciência para esperar pelo resultado de seu esforço. Então, na medida do possível, é necessário limitar o tempo da gincana a uma ou duas aulas no máximo, ficando assim uma "Mini-Gincana de Grooves".

Observação: Esta postagem é resultado de experiências com a atividade da gincana realizadas no segundo semestre do ano passado (2015). Ainda não tive tempo de garimpar as fotos, mas tão breve quanto possível eu as encontrarei e atualizarei a postagem.

Nenhum comentário:

Postar um comentário