quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Aos meus alunos do Col. Santa Maria

Gostaria de fazer um agradecimento muitíssimo especial à todos os meus alunos de Iniciação ao Violão no Colégio Santa Maria Coração Eucarístico, pelo carinho com que me receberam este ano como seu professor e por me aguentaram até o último dia de aula. Obrigado também pelas flores, pelos presentes, pelas surpresas, e pelo "Óscar das aulas de Violão" (super criativo!!!). Não tenho como expressar em palavras o quanto é gratificante ser professor. Ainda mais depois de receber um troféu desse! Obrigado a Brunna, Ana Julia, Maria Clara, Sofia, Pietra, Mariana, Gabriel, Tiago, Bernardo, Giovanni, Victória, Bárbara, Lucas Augusto, Pedro Augusto, Caio, Pedro Damasceno, Gabriel Gontijo, Lucas Moretson, André. Obrigado também às "Minnies" do jazz, pelo carinho. Neste ano de 2013, que marcou minha estreia como professor escolar, eu espero ter sido tão especial para vocês como professor quanto vocês foram especiais como alunos(as) para mim. Agradeço também àqueles que por qualquer motivo não puderam continuar a frequentar as aulas. E os digo: Não desistam da Música! Ela fará milagres em suas vidas (se não for pelo violão, o fará por outros meios). Todos vocês, sem exceção, estarão marcados no meu coração e na minha memória de hoje em diante. Feliz Natal, próspero ano novo, e um abraço do "fessor". Até ano que vem!!

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Campanha: exija professores formados em música


Sabe-se que quando bem promovida, a educação musical proporciona inúmeros benefícios à saúde física e mental do estudante, agindo direta e indiretamente no desenvolvimento das capacidades de comunicação, concentração, memória, agilidade de raciocínio, paciência, persistência e autoconfiança. E estes são só alguns dos benefícios mais conhecidos e divulgados pela comunidade científica, e que certamente irão se refletir na expansão das potencialidades deste aluno em todas as outras áreas do conhecimento.

Seus filhos ou netos têm aulas regulares de música na escola? Caso tenham, sabem se o(a) professor(a) é formado(a) na área? Em 18 de agosto de 2008, o então Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei nº 11.769, que dispõe sobre a obrigatoriedade do ensino de música na educação básica, mas vetou o Art. 2º, que determinava que o ensino da música fosse ministrado por professores com formação específica na área. Dentre as razões do veto, argumentou-se que "no Brasil existem diversos profissionais atuantes nessa área sem formação acadêmica ou oficial em música e que são reconhecidos nacionalmente", mas que de acordo com esta determinação "estariam impossibilitados de ministrar tal conteúdo na maneira em que este dispositivo está proposto"¹.

Agora reflita comigo: em primeiro lugar, que artista reconhecido nacionalmente teria interesse em ser professor de uma escola de ensino regular? Este veto não só é irrelevante para estes artistas, como também prejudica o mercado dos professores formados em música. Em segundo lugar, músico e professor de música são duas categorias profissionais bastante distintas². É verdade que todo músico pode potencialmente ser um professor do seu próprio instrumento³. Mas educação musical no contexto escolar é bem diferente. Sem querer entrar muito em detalhes técnicos, o músico é geralmente um apaixonado por música, enquanto o professor deve ser um apaixonado por educação. Muito além de música e instrumentos musicais, o professor licenciado estuda psicologia, sociologia, política e didática, dentre outras disciplinas pedagógicas que o capacitam a desenvolver nos alunos todas aquelas potencialidades às quais me referi no início.

Portanto, se você preza pela qualidade da educação dos seus filhos e netos, valorize os profissionais da educação, exigindo professores de música formados e de preferência licenciados nas escolas em que estudam. Pois se a lei ainda não nos garante um ensino musical de qualidade, cabe a nós zelar por ele Pense nisso com carinho, discuta com seus amigos e familiares, e divulgue esta campanha. Ficarei feliz em receber comentários, dúvidas ou críticas em relação à esse assunto. O mais importante é que isso tudo não passe em branco, não seja ignorado nem esquecido.

Referências
¹ BRASIL. Mensagem nº 622 de 18 de agosto de 2008. visualizar
² ALVARENGA, Claudia Helena; MAZZOTTI, Tarso Bonilha. Educação musical e legislação: reflexões acerca do veto à formação específica na Lei 11.769/2008. Revista Opus, Porto Alegre, v. 17, n.1, p. 51-72, jun. 2011. (p.68) download
³ GLASER, Scheilla R; FONTERRADA, Marisa. Músico-professor: uma questão complexa. Revista Música Hodie, v. 7, n. 1, p. 27-49, 2007. (p.31) download

sábado, 19 de outubro de 2013

A música do corpo e das coisas

Barbatuques
John Blacking (1973) definia música como “sons humanamente organizados”; Murray Schafer (1986), como “uma organização de sons [ritmo, melodia etc.] com a intenção de ser ouvida” [apreciada]. A definição de música que mais me agrada hoje une estas duas: música é uma organização humana de sons e silêncios com a intenção de ser apreciada. Isto implica que a música, em essência, depende apenas da percepção dos sujeitos, ou seja, ela mora na subjetividade e não na concretude física do som, ou dos instrumentos musicais. Afinal, como o próprio nome sugere, instrumentos são apenas instrumentos, ferramentas, meios para a criação musical.

Assim, se a prática musical não depende necessariamente da utilização de instrumentos musicais [tais como normalmente os concebemos] a educação musical também não o deveria. Decerto que, pelas cores, formatos, complexidade tecnológica [e, lógico, pelo timbre], os instrumentos musicais modernos costumam cativar a grande maioria seus estudantes. No entanto, devido à uma série de circunstâncias da atualidade (econômicas, políticas, logísticas etc.), é muito importante que os educadores saibam incentivar seus alunos a estudarem música não apenas pela possibilidade de se aprender a tocar um instrumento musical, principalmente no contexto de ensino curricular de música nas escolas.

Como praticamente não preveem gastos com recursos materiais, projetos de ensino de música voltados para o canto e a percussão corporal, por exemplo, poderiam finalmente promover a democratização do ensino de música nas escolas. Afinal, o canto e a percussão são as manifestações musicais mais primitivas; estiveram e ainda estão presentes em praticamente todas as sociedades do mundo. Não seria nenhum exagero, inclusive, afirmar que grande parte do conhecimento musical da humanidade deve sua existência à estas práticas.

Da mesma forma, não há no mundo um povo que não dance. E se “dança é música feita visível” (George Balanchine), inversamente o flamenco (Espanha), por exemplo, é uma dança feita audível; assim como o clogging (Reino Unido) e posteriormente a juba dance ou hambone (Estados Unidos), que influenciaram direta e indiretamente no desenvolvimento do sapateado moderno (CONSORTE 2012). Todas estas são manifestações cuja definição encontra-se em um limiar entre dança e música feita com o corpo (nestes casos com os pés, principalmente).
[...] Sendo seres corpóreos, atuamos com o corpo. O corpo não é instrumento para a educação, mas seu veículo primordial [...] (SANTIAGO 2008, p.54). [...] mediante a possibilidade de se expressar por meio dos corpos e da fantasia, as crianças podem dissipar as agressões e obter a autoconfiança [...] (Menuhin apud BASTIAN 2009, p.78).
Outra forma de promover uma democratização da educação musical seria trabalhar com a percussão “alternativa”, como costumo definir a junk percussion (ou, percussão com objetos inusitados, tal como colheres, baldes, panelas, vassouras, caixas de fósforos, bolas de basquete, serrotes, bicicletas, carros, tratores, emfim tudo que produza som). E engana-se quem acha que esse tipo de abordagem reduz o ensino da música aos aspectos rítmicos; muitos objetos produzem sons de alturas definida quando percutidos. Assim, o ensino de qualquer parâmetro musical depende mais da criatividade do professor que dos recursos materiais disponíveis.

Stomp

A educação musical deve ter como objetivo maior a formação de seres humanos mais conscientes de como suas experiências musicais afetam suas vidas. De um ponto de vista antropológico a música é uma atividade através da qual o ser humano percebe o mundo e se expressa sobre ele, e sobre si. O conhecimento musical é um espectro do conhecimento sobre a vida, assim como a física, a matemática, a linguística e etc. A grande diferença é que com música esse conhecimento costuma ser construído com mais prazer e alegria.
[...] Educar-se na música é crescer plenamente e com alegria. Desenvolver sem dar alegria não é suficiente. Dar alegria sem desenvolver tampouco é educar. [...] (GAINZA 1988, p.95)
Referências Bibliográficas
BASTIAN, Hans Günther. Música na Escola: a contribuição do ensino de música no aprendizado e no convívio social da criança. São Paulo : Paulinas, 2009.
BLACKING, John. How Musical is man? Seattle : University of Washington Press, 1973.
CONSORTE, Pedro. A percussão corporal como recurso musical. Artigo eletrônico. Grupo Fritos (blog). Disponívem em , publicado em 20 de abril de 2012.
GAINZA. Violeta Hemsy de. Estudos de Psicopedagogia Musical. 3ª Edição. São Paulo : Summus Editorial, 1988.
SANTIAGO, Patrícia Furst. Dinâmicas corporais para a educação musical: a busca por uma experiência musicorporal. Revista da ABEM, Porto Alegre, V. 19, 45-55, mar. 2008.
SCHAFER, Murray. O Ouvido Pensante. 1ª ed. 1986. Traduzido por Marisa Fonterrada et.al. São Paulo : Unesp, 1992.