Música, educação e afins

Música é um fenômeno social, que pode nos aproximar de determinadas pessoas e nos afastar de outras. Isto porque usamos música para compartilhar sensações e emoções, para transmitir valores e ideais com os quais nos identificamos. Deste modo, nem sempre é gratuito gostar (ou não) de determinada música, estilo, ou gênero musical; nosso gosto musical por muitas vezes tem origem, direta ou indiretamente, consciente ou inconscientemente, nas relações sociais que estabelecemos (ou que os outros estabelecem conosco).

Passa flecha com nomes de nota


Não me lembro quando, se na faculdade ou em alguma oficina, aprendi esta dinâmica que chamo de passa flecha. Originalmente consiste em "lançar palmas" para outros participantes em uma roda dizendo simultaneamente em alto e bom som a palavra "pá!". Lançar palmas neste caso seria bater palmas esticando os braços na direção de alguém (como o golpe do Hulk). Mas como só pode haver uma flecha "voando" no jogo, todos os participantes devem estar atentos sobre onde (com quem) está a flecha, e quem for passar deve olhar nos olhos da pessoa que irá recebê-la para que não haja dúvidas.

Então, alguém começa passando a flecha para outra pessoa, que fará o mesmo e assim por diante, valendo devolvê-la pra quem te enviou. Na verdade, é como se alguém lançasse uma flecha que  deve ricochetear por outros participantes. Daí quanto mais rápido a flecha passar de um participante para outro mais divertido fica, podendo inclusive valer a regra de eliminar quem demorar demais para passar a flecha (como se tivesse sido atingido). E se os participantes estiverem bem afiados quanto a manutenção de um pulso regular, pode-se eliminar quem perdê-lo.

Uma variação da dinâmica consiste em intercalar as flechas com "bombas", pisando forte no chão e dizendo simultaneamente a palavra "tum". Então se alguém de passa um "pá" você devolve ou passa adiante um "tum". Noutra variação você pode passar "pá tum" para alguém e a pessoa terá que passar adiante ou devolver invertido com "tum pá". Noutra ainda você pode incluir sequências de flechas e bombas: se for definido por exemplo "tum pá pá pá", significa que o primeiro passará bomba e os três seguintes passarão flecha, e assim por diante.

Mas se ao invés de falar "pá" ou "tum" trocarmos por nomes de notas musicais? Como na parlenda "Quem vem depois de quem", o primeiro passa a flecha batendo palma e dizendo o nome de uma nota qualquer e quem receber deverá passar a diante ou devolver dizendo o nome da nota que vem depois. Numa variação a ordem das notas pode ser invertida, noutra pode ser em intervalos de terça (pulando uma nota), outra pode envolver toda a escala cromática, e noutra ainda pode-se estabelecer tonalidades específicas para cada rodada.

Este "passa flecha com nomes de nota" continua, enfim, sendo uma dinâmica que trabalha reflexo, prontidão e a sintonia dos indivíduos com o grupo, com a vantagem (tanto para o professor quanto para o aluno) de poder trabalhar o automatismo de conteúdos específicos de música. A versão básica é sucesso garantido por experiência própria. Já as variações com intervalos e escalas específicas eu não tive oportunidade de experimentar ainda, mas acredito que deva ter uma boa aceitação entre os alunos que já estiverem mais familiarizados com o conteúdo em questão.

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DICA: Ao pensar na figura do Hulk para ilustrar o movimento de lançar palmas, pensei que esta associação poderia despertar ainda mais o interesse daqueles alunos que já simpatizam com esse personagem. Até mesmo o nome da brincadeira pode ser mais atrativo, se ao invés de "passa-flecha" chamarmos de "HULK ATTACK", ou ainda "THBAM-THBUM". Em ambas as sugestões a onomatopeia "thbam" deve ser dita junto com o golpe da palma, enquanto "thbum" deve ser dito junto com "um golpe inédito que nenhum inimigo do Hulk jamais conhecera... a pezada sísmica".

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