Música, educação e afins

Música é um fenômeno social, que pode nos aproximar de determinadas pessoas e nos afastar de outras. Isto porque usamos música para compartilhar sensações e emoções, para transmitir valores e ideais com os quais nos identificamos. Deste modo, nem sempre é gratuito gostar (ou não) de determinada música, estilo, ou gênero musical; nosso gosto musical por muitas vezes tem origem, direta ou indiretamente, consciente ou inconscientemente, nas relações sociais que estabelecemos (ou que os outros estabelecem conosco).

Atividades em Folha

A obrigatoriedade do ensino de música nas escolas de educação básica abriu muitas portas para nós, profissionais especializados nesta área. Mas também nos impôs milhares de desafios; alguns relacionados à nossa formação, outros relacionados às condições de trabalho, outros ainda (muito mais sérios na minha opinião) relacionados ao público a que servimos. Refiro-me aqui às últimas gerações de crianças que, vivendo em um mundo cada vez mais tecnológico, informatizado, dinâmico, e ao mesmo tempo caótico, antissocial e doente, têm crescido cada vez mais ansiosas, impacientes, indisciplinadas e principalmente individualistas.

Diante desta situação, a prática docente tem se mostrado um desafio muito maior do que jamais deva ter sido. E toda aquela filosofia da educação musical que durante anos pleiteou um ensino de música mais lúdico, menos técnico, mais musical, etcétera e tal, simplesmente não cabe à muitos (quiçá à maioria de) contextos escolares que nos são apresentados hoje em dia (sejam eles de iniciativa privada ou pública). De vez em quando sim. Mas não no cotidiano, no trabalho continuado semana a semana, que exige muitos momentos de dedicação quase que exclusiva à gestão da (in)disciplina em sala de aula. E o que fazer, nestes momentos sem necessariamente deixar de musicalizar ou, pelo menos, ministrar os conteúdos de música?

No ano de 2014 dediquei boa parte da minha prática docente à pesquisa e elaboração de jogos pedagógicos em música, e por falta de experiência com relação à gestão das aulas (e das salas de aula) criou-se para muitas turmas uma expectativa de aula de música como uma aula onde os alunos podem "brincar" (que era de fato o que fazíamos quando os jogos em suas propostas eram bem sucedidos). Mas foi natural que os alunos começassem a associar minhas aulas como um momento de pura diversão, descontração, o que é muito bom. Mas para uma criança estes são conceitos muito próximos do que nós professores entendemos por "bagunça".

Por isso, atividades em folha realizadas em dupla ou individualmente tem se mostrado uma boa alternativa (ao menos para a minha prática docente em particular). Pois lembram os alunos que, na Escola, Música é apenas mais uma disciplina (afinal, não fomos nós professores de música que fizemos questão de enquadrar a música no currículo escolar?). E esta não é uma visão derrotista, diga-se de passagem, pois a música ainda pode ser a disciplina mais divertida. Mas para que isso aconteça é necessário que os alunos apresentem um "bom comportamento". E por bom comportamento entenda-se principalmente: "respeitar o professor bem como os colegas em suas opiniões e formas de se expressar musicalmente, fazendo silêncio quando estiverem falando, cantando ou tocando algo".

Enfim, são tantos os desafios da docência (e em especial da docência em música), que quando não há mínimas condições de se fazer um trabalho verdadeiramente musical, com os alunos criando e executando músicas, o "papel" pode ser uma das únicas alternativas. Além disso, enquanto realizam atividades assim, os alunos são obrigados a desviar por alguns minutos ou segundos a atenção que dedicam aos colegas da sala para a folha que está em sua frente. E este pode ser exatamente o tempo que o professor precisa para trocar alguns alunos de lugar, para estabelecer algum combinado com a turma, que estará, possivelmente, mais silenciosa, mais atenta e menos estressada, se considerarmos o potencial terapêutico de atividades que envolvem o "colorir".

Seguem exemplos voltados para diferentes fases da educação básica e com vários propósitos, como por exemplo auxiliar na alfabetização, na coordenação motora, na compreensão de paisagens sonoras, na compreensão do pulso musical, do parâmetro da duração através da dualidade curto/longo, no automatismo dos nomes de nota bem como de suas posições uma em relação à outra, conhecimento da notação tradicional de música, na compreensão do parâmetro das alturas pela dualidade grave/agudo e pela noção de direcionalidade sonora, na compreensão da forma musical e etc.



Áudios das atividades "Grave, Médio e Agudo" e "Maria Fumaça".

Veja também: Pinte as teclas pretasLabirinto Musical, Meu ritmo de 8 tempos.


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